COMO SÃO FEITAS AS ESCOLHAS AMOROSAS?

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“O amor é o objetivo último de quase toda a preocupação humana; é por isso que ele influencia nos assuntos mais relevantes, interrompe as tarefas mais sérias e por vezes desorienta as cabeças mais geniais” (Schopenhauer)

Seja por dificuldades de relacionamentos, processos de separação ou conflitos, a vida amorosa é um dos motivos pelos quais as pessoas recorrem aos consultórios psicológicos e psicanalíticos em busca de auxílio, compreensão e resolução daquilo que estão vivenciando e trazendo sofrimento. Muitos se questionam: por que não dou certo com ninguém? Onde estou errando? Será que vou encontrar alguém para a vida inteira? Por que acontecem sempre as mesmas coisas em meus relacionamentos? São diversos os questionamentos e buscas por entendimento.

Os relacionamentos amorosos, sejam eles duradouros ou não, estão presentes na vida da maioria dos seres humanos e, como podemos observar no cotidiano, para muitas pessoas, os mesmos assumem tamanho significado, na medida em que passam a nortear suas vidas, podendo dar um colorido especial a ela ou, até mesmo, arruiná-la. A psicanálise nos traz algumas contribuições que nos são de fundamental importância na tentativa de compreensão do significado particular que os relacionamentos amorosos assumem para as pessoas. De acordo com o determinismo psíquico, proposto por Freud, nada é por acaso, mas sim determinado por conteúdos inconscientes. O conceito de transferência também deve ser considerado, visto que ela é uma compulsão à repetição, ou seja, é o fenômeno de transferir para pessoas e situações do presente aspectos da vida psíquica ligados a pessoas e situações do passado, a qual é comum na vida dos indivíduos, podendo estar presente em toda e qualquer relação, bem como num relacionamento amoroso.

Com base em tais conceitos, a partir de um processo analítico, é possível saber quais são os processos psicológicos inconscientes envolvidos no relacionamento de um casal, desde a escolha do parceiro até o desenrolar e término dessa relação, que são ou podem estar sendo norteados pelo determinismo psíquico e pela transferência.

Isso significa que as escolhas amorosas e o modo de lidar com os parceiros não ocorrem de maneira aleatória, ao acaso. Muito do que somos, a maneira com que lidamos com as pessoas e nossas escolhas, nosso modo de ser e lidar com as situações, enxergar o mundo e enfrentar as adversidades da vida está permeado por experiências anteriores, vividas em nossas épocas mais primitivas, principalmente, nos relacionamentos parentais. Muitas pessoas se veem repetindo os mesmos comportamentos em relacionamentos diferentes ou colocando-se em situações bastante parecidas repetitivamente, percebendo em si um padrão de comportamento, sentimentos e pensamentos já vivenciados em um momento anterior de sua vida. Vale ressaltar que, em muitos casos, contudo, nem sempre isso ocorre de maneira consciente, ou seja, as pessoas agem sob a influência do inconsciente e nem percebem o seu modo de atuação diante de determinada situação.

Então, se é inconsciente, como posso mudar isso? Como posso entender melhor meus comportamentos e forma de enfrentar as situações de modo a me relacionar melhor com as pessoas? É neste aspecto que o processo analítico ganha relevância, na medida em que pode ajudar a trazer à consciência aspectos inconscientes que estão influenciando esse modo de funcionamento, ou seja, essa tendência à repetição e, a partir daí, iniciar um processo de mudança.

Ao se fazer uma investigação psicanalítica sobre os processos psicológicos envolvidos nos relacionamentos amorosos, torna-se possível compreender quais são as possíveis fantasias, expectativas, frustrações, angústias, identificações e defesas presentes em tais relacionamentos, buscando compreender, inclusive, seus significados inconscientes e implicações na vida das pessoas. Sendo assim, a análise auxilia as pessoas em seu autoconhecimento, autopercepção e compreensão do outro, favorecendo o estabelecimento de relacionamentos amorosos mais satisfatórios ao lidar melhor com as situações de adversidade e que causam sofrimento.

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